O prêmio mais cobiçado da física de
partículas - o bóson de Higgs - está mais perto de ter sua existência
confirmada, segundo o anúncio de pesquisadores que encontraram novos
indícios da chamada "partícula de Deus" no Grande Colisor de Hádrons
(GCH) em Genebra.
A partícula é considerada o pedaço que
falta na principal teoria da física de partículas - conhecida como
Modelo Padrão - que descreve como partículas e forças interagem. Ela
seria responsável por dar massa a todas as outras partículas.
Durante um seminário do Cern,
organização que opera o GCH, nesta terça-feira, cientistas anunciaram
que dois experimentos no colisor conseguiram encontrar sinais que podem
ser do bóson de Higgs, causando furor na comunidade científica.
No entanto, os pesquisadores ainda não tem dados suficientes para reivindicar verdadeiramente a descoberta.
Encontrar o bóson de Higgs seria um dos
maiores avanços científicos dos últimos 60 anos. De acordo com os
cientistas, ela é crucial para a compreensão do universo, mas nunca foi
observada em experimentos.
Qualidade 'excepcional'
Dois experimentos separados no Grande Colisor de Hádrons - Atlas e CMS - procuram separadamente pela partícula.
A teoria do Modelo Padrão não prevê uma
massa exata para o bóson de Higgs. Por isso, os físicos precisam
utilizar aceleradores de partículas como o GCH para procurar o bóson
dentro de um intervalo de massas.
O Atlas e o CMS procuram sinais da
partícula entre bilhões de colisões que ocorrem em cada experimento do
GCH. Evidências da existência dela apareceriam como pequenos "picos" nos
gráficos dos físicos.
Nesta terça-feira, os diretores dos dois
projetos disseram ter encontrado estas evidências no intervalo de massa
entre 124 e 125 giga elétron-volts (GeV) - cerca de 130 vezes mais
pesado do que os prótons encontrados no núcleo dos átomos.
"O excesso (referindo-se ao "pulo" nos
dados) pode ser o resultado de uma flutuação, mas também pode ser algo
mais interessante. Não podemos excluir nada neste estágio", disse
Fabiola Gianotti, porta-voz do Atlas.
Guido Tonelli, porta-voz do CMS, disse
que "o excesso é muito compatível com um (bóson de) Higgs do Modelo
Padrão nos arredores de 124 giga elétron-volts e abaixo disso, mas a
significância estatística dele ainda não é suficiente para dizer nada
conclusivo".
"O que vemos é consistente tanto como uma flutuação como com a presença do bóson."
A confirmação estatística da medida
obtida pelos experimentos ainda é muito baixa para classificá-la
formalmente como uma descoberta.
Mecanismo do universo
Segundo os cientistas, quando o universo
esfriou após o Big Bang, uma força invisível conhecida como o campo de
Higgs teria se formado juntamente com o bóson de Higgs.
É este campo que dá massa às partículas
fundamentais que formam os átomos. Sem ele, estas partículas passariam
pelo cosmos na velocidade da luz e não conseguiriam se aglutinar.
O modo como o campo de Higgs trabalha
foi associado ao modo como fotógrafos e repórteres se reúnem ao redor de
uma celebridade. O grupo de pessoas é "atraído" fortemente pela
celebridade e cria resistência ao seu movimento em um salão, por
exemplo.
Dessa maneira, o grupo dá "massa" àquela celebridade, tornando sua movimentação mais lenta.
"A questão do (bóson de) Higgs é que
sempre dizemos que precisamos dele para explicar a massa, mas sua
importância real é que precisamos dele para entender o universo", disse à
BBC Tara Shears, física especializada em partículas, da Universidade de
Liverpool.
"Descobrir a partícula confirma que a
abordagem que estamos usando para entender o universo está
correta."Estas preocupações motivam o esforço do Cern para destacar o
bóson de Higgs e outros fenômenos usando o GCH.O Grande Colisor de
Hádrons fica em um túnel circular de 27 quilômetros de comprimento na
fronteira entre a França e a Suíça, repleto de ímãs que "conduzem"
partículas de prótons pelo imenso anel.
Em certos pontos do trajeto, o colisor
faz com que os feixes de prótons se choquem uns com os outros a uma
velocidade próxima à velocidade da luz, para que seja possível detectar
outras novas partículas nos resultados da colisão.
Fonte: BBC Brasil
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